Uma vacina experimental e personalizada contra o melanoma, considerado um tipo agressivo de câncer de pele, demonstrou ser capaz de reduzir os riscos de a doença retornar após a cirurgia. Os resultados preliminares do ensaio clínico de fase final foram divulgados nesta quarta-feira (19) pelas farmacêuticas Moderna e Merck, empresas responsáveis pelo desenvolvimento do novo tratamento.
Acompanhe a seguir os detalhes sobre o funcionamento dessa tecnologia promissora.
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Tratamento feito sob medida para cada paciente
Diferente das vacinas tradicionais focadas em prevenir doenças infecciosas, a nova fórmula, batizada de intismeran autogene, não protege contra o câncer antes de ele surgir. Na verdade, ela é fabricada sob medida para combater um tumor que já existe no corpo, utilizando as mutações genéticas específicas de cada pessoa.
Para que isso seja possível, uma amostra do tumor do paciente é sequenciada para identificar a sua "impressão digital" molecular. A partir daí, é criada uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) que ensina o sistema imunológico a reconhecer as mutações exatas daquele câncer e atacar as células doentes.
Resultados positivos e redução de metástases
Durante o estudo clínico, que envolveu mais de mil pacientes com melanoma cutâneo operado, a vacina foi testada em combinação com o pembrolizumabe, um imunoterápico já utilizado no tratamento convencional da doença.
Os dados revelaram que o tratamento atingiu os seus dois principais objetivos: os pacientes que receberam a combinação das terapias tiveram um tempo de sobrevida significativamente maior e apresentaram menos casos de metástase (quando o câncer se espalha para outras áreas do corpo) em comparação com o grupo que recebeu apenas o tratamento padrão.
Próximos passos e testes em outros tumores
Embora os avanços representem um passo animador, o oncologista Stephen Stefani pondera que os resultados ainda precisam passar por outras etapas rigorosas antes que o método seja amplamente adotado na prática clínica rotineira.
A boa notícia é que o programa de pesquisas já está expandindo os horizontes dessa mesma tecnologia de mRNA — similar à plataforma usada nas vacinas da Covid-19 — para tentar combater outros quadros. Atualmente, novos ensaios clínicos estão em andamento para testar a vacina personalizada contra cânceres de pulmão, bexiga, rim, pâncreas e estômago.
Fonte: G1
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