CIÊNCIA: Brasil testa laboratório espacial que atinge 100 km de altitude e retorna de paraquedas

A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) estão conduzindo testes com a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. A operação, que ocorre até o dia 19 de setembro, consiste em lançar a cápsula a mais de 100 km de altitude para a realização de experimentos científicos e resgatá-la intacta no mar. O sucesso da missão marcará a primeira vez que o Brasil fará a recuperação física de itens testados no espaço, garantindo maior autonomia ao programa aeroespacial nacional.

Confira a seguir os detalhes do voo, o funcionamento do resgate e as pesquisas envolvidas.


Foto: FAB / Divulgação

O trajeto e o sistema de resgate

O "laboratório espacial" é lançado ao espaço acoplado ao foguete suborbital brasileiro VS-30 V16. Ao ultrapassar os 100 km de altitude, a plataforma se desacopla e permanece em ambiente de microgravidade por um período de seis a oito minutos. Após a execução dos experimentos, a cápsula entra em queda livre em direção à Terra, acionando um sistema de paraquedas para frear a descida. O equipamento pousa no oceano e, emitindo sinais de rádio via GPS, é localizado e resgatado por helicópteros da FAB.

A importância da microgravidade

Testar materiais fora da atmosfera terrestre é fundamental para a ciência. No ambiente de microgravidade, onde a influência da gravidade é quase nula, fenômenos químicos e físicos ocorrem de maneira distinta. A ausência da gravidade permite, por exemplo, o crescimento de cristais moleculares de forma muito mais homogênea e simétrica. Esse comportamento é altamente relevante para o desenvolvimento aprimorado de novos medicamentos, alimentos e materiais sintéticos, eliminando imperfeições comuns nas produções feitas em solo.

Agricultura espacial e minissatélite

Entre os experimentos embarcados na cápsula está um minissatélite (Cubesat) desenvolvido pela Esalq-USP. O equipamento carrega biodosímetros de radiação e microrganismos liofilizados (fungos e bactérias desidratados). O objetivo é verificar se essas formas de vida resistem às condições extremas do voo e mantêm a sua viabilidade após o resgate. Os resultados serão comparados com amostras mantidas na Terra, impulsionando os estudos de biologia e agricultura espacial para futuras missões de longa duração, como o cultivo de plantas fora do planeta.

Fonte: g1



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