Uma nova projeção revela que, pela primeira vez na história, o envelhecimento de pessoas com HIV é uma realidade global. Segundo um relatório publicado na revista científica The Lancet HIV, até 2040, pelo menos 20,2 milhões de pessoas diagnosticadas com o vírus terão mais de 50 anos, representando mais da metade de toda essa população no mundo.
Acompanhe a seguir os desafios e a mudança no tratamento da infecção.
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Avanço das terapias e aumento da sobrevida
A infecção se tornou controlável a partir de 1996, com a chegada da terapia antirretroviral, o popular "coquetel". Hoje, trinta anos depois e com tratamentos simplificados muitas vezes para apenas um comprimido diário, a expectativa de vida dos pacientes saltou. O ativista Américo Nunes Neto, de 64 anos, convive com o vírus há quase quatro décadas. Quando foi diagnosticado, a doença era vista como uma sentença de morte, mas hoje ele destaca que o HIV não define a sua identidade.
Mudança no foco do cuidado
Com o aumento da longevidade, o desafio atual não é apenas garantir a sobrevivência, mas assegurar um envelhecimento saudável. Pesquisadores defendem uma mudança de paradigma: além do uso contínuo dos remédios, as instituições de saúde precisam focar no monitoramento da idade fisiológica, na promoção da saúde mental e no incentivo a exercícios físicos, já que muitos pacientes nessa faixa etária carecem de orientações práticas e de um senso de comunidade.
O cenário do tratamento no Brasil
O país ainda enfrenta desafios específicos no combate e tratamento da doença. Segundo dados recentes apresentados na Conferência Internacional da Aids, o Brasil está entre as 21 nações que registraram um aumento superior a 20% nas novas infecções. A pesquisadora da Fiocruz, Sandra Wagner Cardoso, aponta que as dificuldades de acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para populações ribeirinhas e afastadas dos grandes centros urbanos, exigem uma melhor organização e a descentralização do cuidado médico.
Fonte: O Globo
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